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Prontuário eletrônico: o que avaliar antes de trocar de sistema

4 min de leituraLeonardo Nichele

Trocar o prontuário eletrônico é uma das decisões mais caras que uma clínica toma — e uma das poucas que é difícil desfazer. Depois da migração, o histórico dos pacientes está no novo sistema, a equipe está treinada nele e o custo de voltar atrás cresce todo mês.

Vale, portanto, fazer as perguntas certas antes, e não durante.

1. O sistema é certificado?

No Brasil, sistemas de registro eletrônico em saúde podem ser certificados no programa SBIS/CFM, mantido pela Sociedade Brasileira de Informática em Saúde em conjunto com o Conselho Federal de Medicina.

A certificação importa especialmente para instituições que pretendem eliminar o papel: a normativa do CFM sobre digitalização e guarda do prontuário condiciona a dispensa do arquivo físico ao uso de sistema certificado. Se o plano é digitalizar de verdade, essa é a primeira pergunta ao fornecedor — e a resposta deve vir com o nível e a validade da certificação, não com um “somos compatíveis”.

2. Como você tira seus dados de lá?

Esta é a pergunta que mais separa fornecedores.

O prontuário é da instituição e do paciente, não do software. Na prática, muita clínica só descobre o contrário no dia em que decide sair — e o que era um projeto de três meses vira um ano de extração manual.

O que perguntar, por escrito, antes de assinar:

  • Existe exportação completa dos dados, incluindo evoluções, anexos e imagens?
  • Em que formato? Um PDF por atendimento não é migração — é impressão.
  • Existe API de leitura, ou a saída depende de um pedido comercial ao fornecedor?
  • Qual o prazo contratual para entrega dos dados em caso de rescisão?
  • Há custo para essa extração? Qual?

Um fornecedor confiante responde isso sem hesitar. A hesitação, por si só, é a resposta.

3. Com o que ele precisa conversar?

Nenhum prontuário vive sozinho. Liste, antes da escolha, todos os sistemas que precisarão trocar dados com ele:

  • Sistema de gestão / ERP e faturamento
  • Convênios, via padrão TISS
  • Laboratório e resultados de exames
  • PACS e imagem médica
  • Agenda e portal do paciente
  • Assinatura digital e certificação ICP-Brasil

Para cada um, a pergunta é a mesma: existe API documentada, ou a integração depende de projeto sob demanda cobrado à parte? Detalhamos o assunto em interoperabilidade em saúde.

Um sistema que só integra via banco de dados — alguém lendo tabelas diretamente — funciona até a primeira atualização do fornecedor.

4. Como será a migração

A migração é o item mais subestimado de qualquer troca. Pontos que definem se ela vai bem:

  • Escopo. Migra tudo, ou só os últimos N anos? O que fica para trás fica onde?
  • Anexos e imagens. Costumam ser o maior volume e o primeiro a ser cortado do escopo silenciosamente.
  • Validação. Quem confere que o dado migrado está correto, com que amostragem e com que critério de aceite?
  • Convivência. Vai existir período com os dois sistemas em uso? Quem é a fonte da verdade nesse intervalo?
  • Plano de retorno. Se a virada falhar na primeira semana, qual é o caminho de volta?

Migração sem critério de aceite escrito é migração que termina em discussão.

5. O custo real de operação

O preço da licença é a parte visível. O custo total costuma incluir:

  • Implantação e parametrização
  • Migração (frequentemente cobrada à parte)
  • Treinamento — e retreinamento, quando a equipe roda
  • Integrações, uma a uma
  • Suporte, com SLA definido ou sem
  • Reajuste contratual e política de versões

Vale pedir a projeção de três anos, não a do primeiro.

6. Quem usa, testou?

O prontuário é usado durante a consulta, com o paciente na frente. Um sistema que exige quatro cliques a mais por atendimento custa, ao longo de um ano, mais tempo clínico do que qualquer economia de licença compensa.

Antes de decidir, coloque quem atende para executar o fluxo real — abrir o paciente, registrar a evolução, prescrever, encerrar — em ambiente de teste. A resistência da equipe clínica depois da assinatura é o custo mais caro e menos previsto de uma troca.

Quando não trocar

Vale considerar que o problema pode não ser o sistema. Se as queixas são “o dado não chega”, “tem retrabalho entre telas” ou “o convênio glosa por informação errada”, trocar o prontuário não resolve — os mesmos problemas reaparecem no novo, somados ao custo da migração.

Nesses casos, uma camada de integração sobre o que já existe costuma custar menos e entregar antes.


Se você está nessa decisão e quer uma leitura técnica independente — inclusive a recomendação de não trocar, se for o caso —, veja nossos modelos de atuação.

  • Prontuário Eletrônico
  • Gestão Clínica
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Traga o problema. Devolvemos a solução.

A primeira conversa é técnica e sem compromisso. Saímos dela com o escopo entendido e uma recomendação — seja a presença digital da sua clínica, seja um projeto sob encomenda.

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